CONTOS







 (1)

UM AMIGO FIEL

Quando eu era  miudinho
Por que não dizer menino
Pude criar um felino
Que batizei de Lobinho

Ela era um vira lata
Muito esperto e animado
Estava sempre ao meu lado
Quando eu ia pra mata

Também era latidô
Como todo cão de pobre
Mas tinha um coração nobre
E era muito caçador

Pra todo canto que eu ia
Lá estava ele ao meu lado
Sempre atento e antenado 
Com tudo que acontecia

Quando um barulho surgia
La pelas brenhas da mata
La se ia o vira lata
Saber o que acontecia

Na hora de ir pra escola
Ele me acompanhava
E no mato me esperava
Até que chegasse a hora

E assim passavamos o dia
Indo pra lá e pra cá
E ele sempre a me acompanhar
Em tudo o que eu fazia

A noite na hora do sono
Ele as vezes saia
Nunca soube onde ele ía
Se tornava um cão sem dono

De manhã, quando a porta se abria
Ele logo na sala entrava
E na rede se esfregava
E ao meu ouvido grunhia

Certa vez ao amanhecer
Senti algo estranho no ar
Pois ele não foi me acordar
Pois era o primeiro a fazer

Dali me levantei ligeiro
Abri a porta e sai
procurei ele e não o vi
E comecei a ficar cabreiro

Fui correndo pro terreiro
Onde ele costumava ficar
E sem ve-lo, comecei a chorar
Pensando em meu companheiro

Comecei a trabalhar 
Com ele em meu pesamento
Um ser triste em desalento
E não parava de chorar

A caminho do roçado
Que passava todo dia
Quando ouvi, ele grunhia
Fiquei mas aliviado

E fui entrando na mata
O mato muito orvalhado
Quando vi ali deitado
Meu amigo vira lata

Eu ainda fraco e pequeno
Peguei ele com cuidado
Levei-o para o descampado
E vi que comeu veneno

Levei-o pra casa correndo
Sem saber o que fazer
Foi que minha mãe veio ver
O que estava acontecendo

E não custou a falar
E me disse o que fazer:
-Dê leite e ovo pra ele comer
Que ele vai escapar

E assim escapei Lobinho
Com a sabedoria popular
Logo voltou a caçar
E cuidar do seu amiguinho

O tempo foi se passando
Completei a maior idade
Parti para uma grande Cidade
De Lobinho me separando

Desde o dia da viagem
Que o pobre desanimou
Numa árvore, na sombra deitou
Que virou sua hospedagem

Só vinha em casa comer
E para a sombra voltava
Acho que ali ele pensava
De um dia denovo me ver

Hum ano depois eu voltei
Ele aos pulos, foi me encontrar
Antes mesmo de em casa eu chegar
Confesso que eu chorei

Passei por lá  um tempinho
Ele voltou a comer, a caçar e a latir
Mas eu tive que partir
E pela ultima vez, me despedi de Lobinho

Dessa vez, o pobrezinho Sucumbiu
Cavou na sombra uma barroca 
Não comia, e só ficava  na toca
E assim tristemente partiu.

Depois dessa triste passagem 
Até hoje me parte o coração
E nunca mais tive coragem
De ter bicho de estimação

Prefiro ficar com a saudade
E penso que que ele foi pro o Céu
É o meu desejo e vontade
Para o meu amigo fiel.

Autor:Jose Costa 27-03-2022


(2)

CIUME, DINHEIRO E AMOR

É ruim até de lembrar
Tambem não posso esquecer
Muito menos me furtar
Do que estive a viver
De um namoro do passado
Onde eu estava apaixonado
Com todas as forças que eu tinha
Lhe chamava de Abelhina
E depois fui ferroado

Eu ja era homem feito
Quando vi a criatura
Fiquei muito satisfeito
Por ver aquela doçura
E logo, começamos a namorar
Naquela felicidade
E a diferença da idade
Nunca nos atrapalhou
Parecia que o nosso amor
Era para a eternidade

Ela, branquinha e bonita
E tinha um belo corpinho
E um cabelo cacheado
Que me deixava doidinho
De pele cheirosa e macia
Que de longe se sentia
O cheiro do seu perfume
Mas o pior eu não sabia
Que dentro dela existia
Um tenebroso ciúme

No inico,não deu para sentir
Era tudo maravilhoso
E só queriamos curtir
Aquele amor tão gostoso
O tempo foi se passando
O nosso amor aumentando
Com se tivesse um volume
E agente nem imaginava
Que esse amor se acabava
Por causa do tal ciúme

Curtíamos cada momento
Que esse amor nos permitia
Com bastante entendimento
Fosse noite ou fosse dia
Tudo entre nós dava certo
Quando um do outro precisava
O outro estava por perto
E tudo se resolvia
Mas nenhum de nós percebia
Que o fim da linha era certo

Da metade para o fim
Começou a esfriar
Em quase tudo é assim
Quando tem que acabar
Primeiro, a fofocaiada
De gente descupada
Sem ter nada o que fazer
Só pra fazer mal e ver
Outra pessoa arruinada

Depois vieram as intrigas
Que começaram a fazer
Que eu tinha raparigas
E que ela deveria saber
E sendo ela  ciumenta
O prato veio com pimenta
E era para eu comer
Mas como eu não devia
O mehor que eu fazia
Era a nada temer

Tudo isso,só trouxe aborrecimento
E aos poucos foi alterando
O nosso comportamento
E o nosso amor esfriando
E também por derradeiro
Por falta do tal  dinheiro
Tudo foi ficando ruim
E era assim todo dia
Sempre tinha uma agonia
Que parecia sem fim

Só me  resta agora  lembrar
Com saudades e com fervor
Que uma dia eu pude amar
A quem também me amou
Tenho muito a agradecer
Por uma dia poder conhecer
A mulher que me preenchia
Com intensidade e volume
Mas o dinheiro e o ciúme
Nos tirou toda a alegria

Para quem tem ao seu lado
Uma pessoa amada
É preciso ter cuidado
Para não levar ferroada
Ciume, dinheiro e amor  
Nunca irão se combinar
O importante é não deixar
Esses três serem o pivô
Pois se o dinheiro faltar
Vai afetar o amor

Sem dinheiro e sem amor
Só o ciúme vai ficar
Um sentimento sem valor
Dificil de se livrar
O ciúme dominador
Tem poder devastador
Aproveita a insegurança
Acaba com a esperança
De se ter uma grande amor

José Costa - 09 de Abril de 2022

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